Transtorno Disfórico Pré-Menstrual: sintomas, diagnóstico e tratamento

O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma condição relacionada ao ciclo menstrual que provoca sintomas físicos, emocionais e comportamentais intensos. As manifestações costumam aparecer na fase que antecede a menstruação e melhoram poucos dias depois do início do fluxo.

Embora compartilhe algumas características com a síndrome pré-menstrual, o TDPM apresenta maior intensidade. Os sintomas podem comprometer significativamente o trabalho, os estudos, os relacionamentos e as atividades cotidianas.

Principais sintomas do TDPM

Entre os sintomas emocionais e comportamentais mais frequentes estão:

Irritabilidade intensa ou conflitos interpessoais;
Mudanças acentuadas de humor;
Tristeza, desesperança ou autocrítica;
Ansiedade e sensação de tensão;
Dificuldade de concentração;
Falta de energia;
Perda de interesse pelas atividades habituais;
Alterações no sono e no apetite;
Sensação de estar sobrecarregada ou sem controle.

Também podem ocorrer manifestações físicas, como inchaço, sensibilidade ou dor nas mamas, dores de cabeça, desconforto muscular, dor nas articulações e aumento de peso relacionado à retenção de líquidos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico considera a intensidade, a frequência e a relação dos sintomas com o ciclo menstrual. Em geral, as manifestações surgem durante a fase lútea, antes da menstruação, começam a melhorar após o início do fluxo e ficam mínimas ou ausentes na semana seguinte.

Como os sintomas podem ser confundidos com depressão, ansiedade, transtorno bipolar e outras condições, recomenda-se registrá-los diariamente durante pelo menos dois ciclos menstruais. Esse acompanhamento ajuda a confirmar se existe um padrão cíclico.

Também é necessário avaliar se os sintomas representam apenas uma piora pré-menstrual de outro transtorno já existente. Nesse caso, a abordagem pode ser diferente daquela utilizada especificamente para o TDPM.

Psicoterapia e mudanças no estilo de vida

A Terapia Cognitivo-Comportamental pode auxiliar na identificação de pensamentos, emoções e comportamentos relacionados ao período pré-menstrual. Também pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para enfrentar conflitos, irritabilidade, ansiedade e prejuízos na rotina.

A prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, a redução do estresse e a manutenção de horários adequados para dormir podem contribuir para o bem-estar. Essas medidas, entretanto, podem não ser suficientes quando os sintomas são intensos ou incapacitantes.

Tratamento com medicamentos

Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina estão entre os tratamentos mais utilizados para o TDPM. Dependendo da avaliação médica, podem ser administrados continuamente ou apenas durante uma parte do ciclo menstrual.

Algumas estratégias hormonais também podem ser consideradas. Determinados contraceptivos podem reduzir os sintomas ao interferir na ovulação e nas oscilações hormonais. A escolha depende das condições clínicas, dos riscos, das preferências e dos objetivos reprodutivos de cada paciente.

O TDPM não ocorre necessariamente porque os hormônios estão em níveis anormais. Uma das explicações estudadas é a maior sensibilidade do organismo às variações hormonais normais do ciclo menstrual.

Suplementos exigem cautela

Suplementos não devem ser utilizados sem orientação profissional. O GABA oral e o óleo de prímula já foram estudados, mas não apresentam evidências consistentes de eficácia para o tratamento do TDPM.

Além de não substituírem as abordagens estabelecidas, suplementos podem provocar efeitos adversos ou interagir com medicamentos. A indicação deve considerar as necessidades nutricionais, as condições de saúde e os tratamentos já utilizados pela paciente.

Procurar avaliação médica é importante quando os sintomas pré-menstruais interferem na qualidade de vida. Nos casos em que surgem pensamentos de morte, automutilação ou suicídio, a busca por atendimento deve ser imediata.