Cannabis e esquizofrenia: quais são os riscos para os jovens?
A cannabis é a droga controlada mais consumida no mundo. Dados globais referentes a 2023 estimam que aproximadamente 244 milhões de pessoas fizeram uso da substância naquele ano. A planta contém mais de uma centena de compostos conhecidos como canabinoides, entre os quais se destacam o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).
O THC é o principal responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis. O CBD apresenta propriedades diferentes e não produz a mesma intoxicação. A concentração desses componentes pode variar consideravelmente entre os produtos, o que também interfere nos efeitos e nos possíveis riscos relacionados ao consumo.
Com a disseminação do uso recreativo da cannabis, pesquisas vêm investigando sua relação com episódios psicóticos e transtornos como a esquizofrenia. As evidências apontam uma associação entre o consumo e o aumento do risco de psicose, especialmente quando o uso começa precocemente, ocorre diariamente ou envolve produtos com alta concentração de THC.
Isso não significa que todas as pessoas que utilizam cannabis desenvolverão esquizofrenia. Os transtornos psicóticos resultam da interação de diferentes fatores genéticos, biológicos, sociais e ambientais. Entretanto, a cannabis pode atuar como um fator de risco ou como um possível desencadeador em pessoas vulneráveis.
Adolescentes e adultos jovens merecem atenção especial porque o cérebro continua passando por importantes processos de desenvolvimento e maturação até aproximadamente os 25 anos. O contato frequente com substâncias psicoativas durante esse período pode interferir em circuitos relacionados à memória, à atenção, à tomada de decisões e à regulação emocional.
Estudos populacionais estimam que uma parcela dos primeiros episódios de psicose poderia ser evitada com a redução do consumo frequente e de produtos com elevada concentração de THC. Esses percentuais variam bastante entre os países e dependem dos padrões locais de consumo. Além disso, são projeções populacionais condicionadas à existência de uma relação causal e não uma previsão individual.
A orientação preventiva é especialmente importante para jovens com histórico pessoal ou familiar de psicose e esquizofrenia. Informar sobre os riscos, adiar o início do consumo e evitar o uso frequente ou de alta potência são medidas que podem contribuir para a proteção da saúde mental.
