Cyberbullying: impactos na saúde mental de crianças e adolescentes
O aumento do tempo utilizado em celulares, computadores e outros dispositivos digitais ampliou a exposição de crianças e adolescentes às interações virtuais. Durante a pandemia, esse processo se intensificou e trouxe maior preocupação com o cyberbullying, uma forma de violência que pode alcançar a vítima a qualquer hora e em diferentes plataformas.
O cyberbullying é caracterizado pela prática intencional e repetitiva de intimidação, humilhação, perseguição ou discriminação por meios digitais. Pode acontecer em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos on-line, fóruns e outros ambientes virtuais.
Entre as práticas mais comuns estão a divulgação de boatos, ameaças, insultos, exposição de informações pessoais, adulteração de imagens, criação de perfis falsos e compartilhamento de conteúdos com o objetivo de constranger ou ridicularizar. Também podem ser criados perfis e grupos destinados especificamente a atacar determinada pessoa.
Por que os adolescentes podem ser especialmente afetados?
A adolescência é um período importante para a formação da identidade e para o desenvolvimento das relações sociais. É nessa fase que as amizades se tornam mais complexas, surgem os primeiros relacionamentos amorosos e se fortalecem preferências relacionadas à aparência, aos grupos e às formas de expressão.
A necessidade de pertencimento e a preocupação com a opinião dos outros podem tornar os adolescentes mais vulneráveis às agressões virtuais. Um comentário ofensivo ou uma imagem constrangedora pode alcançar rapidamente muitas pessoas, permanecer disponível na internet e acompanhar a vítima em diferentes espaços da vida.
O comportamento de quem pratica cyberbullying
Não existe um único perfil psicológico para quem pratica cyberbullying. As motivações podem envolver busca por aceitação do grupo, desejo de exercer poder, preconceito, ressentimento, impulsividade, dificuldade de empatia ou repetição de comportamentos observados em outros ambientes.
A internet pode ampliar essas condutas por causa da possibilidade de compartilhamento imediato, do alcance das publicações e da sensação de anonimato ou impunidade. Mesmo uma agressão iniciada por uma única pessoa pode se transformar rapidamente em uma rede de ataques, comentários e compartilhamentos.
Consequências para a saúde mental
As vítimas podem apresentar dificuldade para dormir, queda no rendimento escolar, isolamento, insegurança, sensação de desamparo e baixa autoestima. Também podem surgir medo de frequentar a escola, recusa em utilizar determinados aplicativos e mudanças repentinas de comportamento.
A exposição prolongada à violência virtual está associada a sintomas de ansiedade, depressão, fobia social e crises de pânico. Em situações mais graves, podem ocorrer automutilação, pensamentos suicidas e risco de suicídio, exigindo atenção imediata da família, da escola e dos profissionais de saúde.
Cyberbullying é crime no Brasil?
Desde janeiro de 2024, o cyberbullying possui tipificação específica no Código Penal brasileiro. A Lei nº 14.811 estabeleceu pena de reclusão de dois a quatro anos e multa quando a intimidação sistemática é praticada por redes sociais, aplicativos, jogos on-line ou outros ambientes digitais, desde que a conduta não constitua crime mais grave.
Quando o autor é menor de 18 anos, a responsabilização segue as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente. Dependendo da conduta, também podem estar envolvidos outros atos ilícitos, como ameaça, injúria, difamação, perseguição e divulgação de imagens sem autorização.
Como agir diante do cyberbullying?
É importante guardar provas, como capturas de tela, links, mensagens, datas e identificação dos perfis envolvidos. A vítima também deve bloquear e denunciar as contas nas próprias plataformas e contar o que está acontecendo a familiares, responsáveis ou pessoas de confiança.
A escola precisa ser comunicada quando estudantes estiverem envolvidos. Nos casos com ameaças, perseguição ou outras formas de violência, pode ser necessário registrar uma ocorrência e procurar os órgãos de proteção. Quando houver sofrimento emocional, mudanças de comportamento ou prejuízos na rotina, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode ser indicado.
