Excesso de telas: impactos no sono, aprendizado e saúde
O uso excessivo de celulares, computadores, tablets e outros dispositivos digitais já despertava preocupação antes da pandemia. Durante o período de isolamento social, entretanto, o tempo diante das telas aumentou consideravelmente, especialmente entre crianças e adolescentes.
Em alguns casos, jovens chegaram a permanecer entre 14 e 16 horas por dia utilizando dispositivos para estudar, conversar, jogar ou consumir entretenimento. Mesmo após o retorno das atividades presenciais, parte desses hábitos permaneceu. Profissionais da educação também relatam a presença de alunos sonolentos em sala de aula, muitas vezes após utilizarem celulares e computadores até a madrugada.
Não existe um limite único de tempo capaz de provocar prejuízos em todas as pessoas. Os efeitos dependem da idade, do conteúdo acessado, do horário de uso, das pausas realizadas e das atividades que acabam sendo substituídas. Ainda assim, estudos associam períodos prolongados de exposição, principalmente quando ultrapassam várias horas diárias, a consequências negativas para o sono e o bem-estar.
Um dos principais impactos acontece quando o uso se estende até a noite. A luminosidade das telas pode interferir nos sinais envolvidos na preparação do organismo para dormir. Além disso, jogos, vídeos, redes sociais, mensagens e notificações mantêm a pessoa mentalmente estimulada e ocupam o tempo que deveria ser reservado ao descanso.
Como resultado, o horário de dormir pode ser progressivamente adiado, alterando o ciclo de sono e vigília. Entre crianças e adolescentes, isso pode provocar sonolência durante o dia, irritabilidade, alterações de humor e dificuldades para prestar atenção, memorizar informações e acompanhar as atividades escolares.
O excesso de telas também pode reduzir o tempo dedicado à atividade física, à convivência presencial e às experiências ao ar livre. Esse comportamento sedentário está associado ao aumento do risco de ganho de peso e obesidade, além de desconfortos musculares e problemas posturais relacionados ao uso prolongado dos dispositivos em posições inadequadas.
A exposição visual contínua pode provocar cansaço ocular, ressecamento, dores de cabeça e dificuldade temporária de focalização. O aumento do tempo realizando atividades muito próximas aos olhos, combinado à menor permanência ao ar livre, também está associado ao desenvolvimento da miopia entre crianças e jovens. Problemas auditivos podem ocorrer quando o uso dos dispositivos envolve fones de ouvido em volume elevado.
O uso excessivo não é considerado uma causa direta de TDAH, mas pode agravar dificuldades de atenção, organização e controle dos impulsos. Em algumas pessoas, também podem surgir padrões de dependência digital, nos quais o uso se torna difícil de controlar e começa a prejudicar o sono, os estudos, o trabalho e os relacionamentos.
Estabelecer horários, realizar pausas, evitar dispositivos próximo ao momento de dormir e equilibrar o uso digital com atividades físicas e sociais são medidas importantes para preservar o sono e a saúde. Mais do que observar apenas o número de horas, é necessário avaliar de que maneira as telas estão sendo utilizadas e quais espaços ocupam na rotina.
